O clima de fim do ano

27/12/2025

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,

 você, meu caro, tem de fazê-lo de novo”

– Carlos Drummond de Andrade.

 

Não sei quanto ao amigo leitor deste estimado periódico, mas eu, nesta época do ano, todos os anos, sou invadido por sentimentos nostálgicos, saudosistas que se misturam com os outros sentimentos que evocam uma certa esperança de um futuro melhor.

Como todos, também eu perdi pessoas que, nesta data, como durante todo o ano, fazem falta. Perdi familiares e amigos durante a senda dura da vida, e isso molda quem somos. O passado nos marca e determina quem somos hoje.

Muitos carregam a amargura nas perdas da vida, outros, ao contrário, com elas aprenderam a serem pessoas melhores, utilizando o amor, a compaixão e o perdão como antídotos para os traumas sofridos.

Ou seja: a depender da personalidade de cada um, o caminho da jornada pode ser menos ou mais sofrível dependendo de como encaram as frustrações perante ao inevitável: a morte, a doença, às perdas em geral.

O caso é que essas reflexões sazonais servem, também, amigo leitor, para fazermos redefinições de valores. Onde estamos depositando nossa atenção, afinal? Será que este ou aquele ponto de nossas vidas merecem demasiada atenção? Qual área de nossas vidas estamos negligenciando e qual estamos supervalorizando?

Enquanto estou neste misto de saudade pelo passado e anseio pelo futuro, aproveito para, além de confraternizar com os meus poucos amigos, primar por minha família, que é o que verdadeiramente importa na vida de um homem. Passar um Natal e um réveillon com a família, e todos gozando de boa saúde, é já ter tudo.

Espero que o amigo leitor, abençoado pelo Senhor Deus, possa passar um ano-novo na mais perfeita paz e comunhão. E que as agruras da vida deem espaço para um novo homem; este, diferente do antigo, com um olhar amável para o passado e com um olhar esperançoso e de fé para o futuro.

É uma época de recomeços. E também se perdoe, meu amigo, se for o caso. Entre em 2026 sem débito para consigo. Neste novo ano, seja novo também. E, lembre-se: somos tempo; valorizá-lo é, antes de tudo, valorizar-se.

Feliz Ano Novo!

 

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

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